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17.03.2026 09:59 PM
GBP/USD. Smart Money. O que o mercado realmente temia nas últimas semanas?

O par GBP/USD reverteu em uma zona de desequilíbrio (sem rótulo numérico) e retomou o movimento de queda, sem um alvo definido. Na semana passada, formou-se outro desequilíbrio de baixa, que pode desencadear uma reação de preço e gerar um novo sinal de venda já hoje. Um padrão semelhante está presente no EUR/USD, o que indica que ainda é cedo para falar no fim da fase baixista. Pelo contrário, as posições de compras permanecem bastante frágeis.

Para que se possa esperar uma nova onda de alta, é necessário, no mínimo, que o desequilíbrio 17 seja invalidado. Como os traders já sabem, a geopolítica é atualmente o principal motor do mercado, explicando cerca de 90% da força do dólar. Mas e se, nas últimas semanas, o mercado não esteve focado nos preços elevados do petróleo, na aceleração da inflação ou nos riscos de recessão? E se o mercado temeu que o Federal Reserve abandone novos afrouxamentos da política monetária diante da pressão inflacionária associada ao conflito no Oriente Médio? Nesse caso, esse fator pode já estar precificado.

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Não houve uma escalada significativa no Oriente Médio na semana passada, mas a situação geral também não apresentou melhora. O Irã continua bloqueando o Estreito de Ormuz, os países do Golfo seguem trocando ataques com mísseis e drones, Donald Trump exige apoio dos países da UE na região, enquanto as nações europeias tentam lidar sozinhas com a crise energética iminente. Nesse contexto, especular sobre quando o conflito terminará já não faz muito sentido. O fato é que o conflito continua e, sem sua resolução, a estabilidade global não será restabelecida. Mas até que ponto o dólar americano pode continuar se fortalecendo nesse cenário?

No momento, não há padrões de alta, mas um novo sinal de venda pode surgir hoje dentro do desequilíbrio 17. O euro apresenta um desequilíbrio semelhante, de modo que EUR/USD e GBP/USD podem voltar a gerar sinais de negociação idênticos. A probabilidade de novas quedas em ambos os pares permanece relativamente elevada, embora não absoluta. Qualquer discussão sobre uma retomada da tendência de alta neste estágio é especulativa e carece de confirmação.

A tendência de longo prazo para a libra continua sendo de alta. Enquanto o par permanecer acima de 1,3012, deve-se dar maior atenção a sinais de compra. No entanto, neste momento, não há tais padrões ou sinais, enquanto os fatores geopolíticos continuam pressionando tanto o euro quanto a libra.

O fluxo de notícias na segunda e terça-feira foi praticamente inexistente, enquanto os dados de sexta-feira foram desfavoráveis tanto para a libra quanto para o dólar. Ainda assim, é pouco provável que relatórios do Reino Unido ou dos Estados Unidos tenham tido impacto significativo sobre o sentimento dos traders, apesar de sua relevância.

Nos Estados Unidos, o cenário geral sugere que, no longo prazo, o dólar tende a enfraquecer. O conflito entre EUA e Irã não altera substancialmente essa perspectiva. A trajetória do dólar continua desafiadora no longo prazo, mas favorável no curto prazo. Os dados do mercado de trabalho dos EUA têm decepcionado com mais frequência do que surpreendido positivamente. Três das últimas quatro reuniões do FOMC terminaram com decisões dovish. Além disso, fatores políticos e estruturais — incluindo ações militares de Trump, tensões com diversos países, questões envolvendo Jerome Powell, riscos de shutdown do governo, escândalos políticos, possíveis processos de impeachment e perdas eleitorais — tornam o cenário ainda mais complexo.

Nesse contexto, há condições para uma possível retomada de alta em 2026, mas, por ora, os traders permanecem focados na geopolítica e na crise energética.

Uma tendência de baixa sustentada no GBP/USD exigiria um cenário fortemente positivo e estável para o dólar americano — algo difícil de sustentar nas condições políticas atuais. Embora fatores geopolíticos possam oferecer suporte, seu impacto permanece incerto. Em um cenário extremo de escalada global do conflito, o dólar poderia se fortalecer significativamente, mas isso ainda é especulativo. Nas condições atuais, o potencial de valorização do dólar é limitado pela natureza dos eventos geopolíticos em curso.

Calendário econômico para os EUA e o Reino Unido:

  • EUA – Índice de Preços ao Produtor (12:30 UTC)
  • EUA – Decisão de taxa de juros do Federal Reserve (18:00 UTC)
  • EUA – Projeções Econômicas FOMC (Dot plot) (18:00 UTC)
  • EUA – Coletiva de imprensa com Jerome Powell (18:30 UTC)

Em 18 de março, o calendário econômico inclui quatro eventos, sendo três considerados de grande importância. O impacto do fluxo de notícias sobre o sentimento do mercado na quarta-feira pode ser significativo, especialmente na segunda metade do dia.

Previsão e dicas para negociar o GBP/USD:

Para a libra, a perspectiva de longo prazo continua sendo de alta. No entanto, atualmente não há padrões de compra ativos. Existe apenas um novo desequilíbrio de baixa (17), e o preço precisa primeiro retornar a essa zona e reagir a ela antes que os traders considerem novas posições de venda.

Vale destacar que a queda da libra nas últimas semanas foi impulsionada por uma combinação de fatores desfavoráveis. Sem a escalada das tensões geopolíticas, incluindo ações militares no Oriente Médio, a força do dólar provavelmente teria sido menos acentuada. Essa queda pode terminar tão rapidamente quanto começou, mas, por enquanto, ela continua. Caso novos sinais surjam, a libra pode recuar ainda mais em direção à faixa de 1,3000–1,3100.

Samir Klishi,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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