Veja também
22.04.2026 03:32 PMDepois de dois dias de queda, o ouro recuperou parte das perdas após o presidente Donald Trump anunciar a extensão da trégua com o Irã e conceder mais tempo para a organização de novas negociações de paz. A notícia teve um efeito calmante sobre os mercados, reduzindo as preocupações com uma escalada imediata do conflito.
A diminuição das tensões geopolíticas, ainda que temporária, costuma levar a uma saída de capital dos ativos de refúgio. No entanto, neste caso, o mercado reage mais à redução das pressões inflacionárias e às mudanças na orientação da política monetária. A perspectiva de longo prazo para o ouro permanece inalterada. A extensão da trégua tende a reativar a demanda pelo metal, motivo pelo qual os mercados acompanharão atentamente os próximos desdobramentos. Qualquer sinal de novas tensões ou de fracasso nas negociações pode rapidamente voltar a pressionar o ouro, à medida que os investidores passam a temer um ressurgimento da inflação e possíveis aumentos das taxas de juros.
Como mencionado anteriormente, o preço do ouro subiu 1,1% hoje, superando US$ 4.770 por onça, após cair mais de 2% na sessão anterior. Donald Trump afirmou que pretende se abster de novos ataques até que o Irã apresente uma nova proposta e as negociações sejam concluídas de alguma forma. No entanto, o Estreito de Ormuz permanece fechado à navegação, já que o Irã declarou que não reabrirá essa rota estratégica enquanto os EUA mantiverem o bloqueio a embarcações com destino ou origem no país.
Ontem, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, cancelou sua viagem a Islamabad para as negociações de paz programadas, após o Irã informar que não participaria das conversas.
Vale lembrar que a guerra no Oriente Médio, já em sua oitava semana, provocou um choque significativo na oferta de energia, elevando os riscos de inflação e aumentando a probabilidade de que os bancos centrais mantenham as taxas de juros em níveis elevados ou até as elevem — o que representa um fator negativo para o ouro, por ser um ativo que não gera rendimento.
Desde o início do conflito, o ouro recuou cerca de 10%, mas, nas últimas semanas, tem oscilado dentro de uma faixa relativamente estreita. Isso sugere que o mercado já precificou em grande parte os riscos geopolíticos atuais e agora precisa de uma escalada clara ou de uma mudança decisiva nas condições macroeconômicas para justificar uma reavaliação.
Do ponto de vista técnico, os compradores precisam retomar a resistência mais próxima, em US$ 4.771. Isso abriria espaço para um teste em US$ 4.835, nível acima do qual o avanço tende a se tornar mais difícil. O alvo mais distante está em torno de US$ 4.893. Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle da região de US$ 4.708. Se tiverem sucesso, o rompimento desse nível representaria um golpe significativo para os compradores, podendo levar o ouro a uma mínima de US$ 4.647, com possibilidade de extensão até US$ 4.591.
You have already liked this post today
*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.

