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26.06.2026 02:30 PM
Petróleo deve encerrar a semana com uma perda significativa

Parece que o petróleo caminha para a terceira semana consecutiva de queda. Nesta sexta-feira, o Brent recuou para abaixo de US$ 74 por barril, enquanto o WTI é negociado em torno de US$ 70. Na semana, os contratos futuros acumulam perdas superiores a 8%. Ainda assim, o cenário deixou de ser unidirecional. Na sessão anterior, ambos os referenciais avançaram mais de 2% pela primeira vez na semana, após o navio porta-contêineres Ever Lovely ser atingido por um projétil de origem desconhecida a sudeste de Omã. O episódio serviu como um lembrete de que um cessar-fogo frágil ainda está longe de representar uma paz duradoura.

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O ataque à embarcação abalou a já frágil confiança dos armadores. Vários navios-tanque mudaram de rota na madrugada de quinta-feira após supostamente receberem alertas da Marinha iraniana, enquanto a Organização Marítima Internacional (IMO) suspendeu as operações de evacuação no Estreito.

Especialistas observam que a situação é agravada pelas limitações geográficas. Como a rota habitual estaria minada, surgiram duas rotas alternativas para a saída do Golfo. Uma passa próxima ao litoral iraniano, enquanto a outra contorna a costa de Omã sob proteção dos Estados Unidos. O Escritório de Assuntos do Golfo do Irã declarou ontem que o trânsito por rotas fora de sua jurisdição não garante uma passagem segura. Na prática, trata-se de uma tentativa de Teerã de preservar sua influência sobre o Estreito mesmo após a assinatura do memorando.

Ainda assim, a tendência predominante de queda dos preços do petróleo permanece intacta, e o ataque apenas desacelerou esse movimento, sem revertê-lo. A alta de 2% observada ontem representou um repique técnico, e não uma mudança nos fundamentos do mercado. Vale lembrar que, mesmo antes do incidente, os contratos futuros já haviam eliminado temporariamente todos os ganhos decorrentes do conflito militar, retornando aos níveis anteriores à guerra.

O cenário fundamental continua pressionando as cotações, impulsionado pela rápida recuperação da oferta. No início desta semana, o fluxo de exportações de petróleo do Golfo Pérsico atingiu o ritmo mais acelerado desde o início da guerra. O Goldman Sachs estima que as exportações já correspondam a quase dois terços dos níveis normais e observa que o ritmo de redução dos estoques globais começou a desacelerar. Os produtores do Golfo ampliam rapidamente a produção, mesmo diante da escassez de navios-tanque para transporte. Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar vêm aumentando suas exportações, como discutimos recentemente. Um detalhe interessante ilustra a dimensão das distorções logísticas.

O cenário político também contribui para a incerteza. Na noite de quinta-feira, Donald Trump afirmou que o Estreito está aberto e declarou que o Irã comprará produtos agrícolas americanos com recursos provenientes de ativos congelados. Teerã contesta essa versão, e divergências na interpretação dos termos do acordo já surgiram diversas vezes ao longo das últimas semanas de negociações.

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Quanto ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 74,85. Isso lhes permitiria ter como meta US$ 81,38, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante será a faixa de US$ 86,67. Caso haja uma queda nos preços do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle da marca de US$ 67,77. Se isso ocorrer, romper essa faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e empurrará o petróleo para uma mínima de US$ 59,96, com potencial para atingir US$ 51,99.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
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