Inverno ameno faz os preços da gasolina nos EUA caírem
Analistas de Wall Street avaliam que as perspectivas para o gás natural nos Estados Unidos são mistas. Enquanto os preços registram forte queda no curto prazo, as expectativas de longo prazo apontam para uma demanda significativamente maior, impulsionada pelas exportações de gás natural liquefeito (GNL) e pelo aumento do consumo global de energia, segundo relatório do Morgan Stanley.
Os contratos futuros do gás natural de referência Henry Hub já acumulam queda de cerca de 28% no ano. Esse recuo foi provocado, em grande parte, por um final de inverno atipicamente ameno, que resultou em estoques aproximadamente 5% acima da média dos últimos cinco anos.
No curto prazo, a expectativa é de que os preços permaneçam dentro de uma faixa estreita ou apresentem leve queda, uma vez que a demanda sazonal tende a enfraquecer durante a primavera. No entanto, o Morgan Stanley destaca que os fatores estruturais de demanda estão se fortalecendo. As exportações de GNL são vistas como um dos principais motores de crescimento, com a demanda já em trajetória de alta e previsão de expansão significativa nos próximos anos.
Essa fraqueza momentânea no mercado de gás contrasta com o cenário mais amplo do setor energético, que vem sendo pressionado por disrupções relevantes na oferta desde o início do conflito com o Irã, no fim de fevereiro. Dados recentes do índice de preços ao consumidor evidenciam um forte impacto inflacionário vindo da energia: o subíndice energético subiu 10,9% no mês — o maior avanço mensal desde setembro de 2005. Já o índice da gasolina avançou 21,2%, com o preço médio nacional ultrapassando US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos.
Apesar do excesso atual de oferta, as perspectivas de longo prazo para o gás permanecem sólidas. O Morgan Stanley projeta que a demanda total de gás nos Estados Unidos atingirá cerca de 140 bilhões de pés cúbicos por dia (Bcf/d) até 2030, ante aproximadamente 113 Bcf/d atualmente.
A geração de energia elétrica também deve reforçar o consumo doméstico de gás. A produção hidrelétrica caiu acentuadamente após o nível de neve no oeste dos EUA ficar cerca de 65% abaixo da média histórica. Esse déficit tende a aumentar o uso de gás na geração elétrica. O banco estima que a demanda das usinas no verão crescerá cerca de 1 Bcf/d em relação ao ano anterior, impulsionada pelo retorno a padrões climáticos mais típicos e pelo crescimento estrutural da demanda por eletricidade.