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Petróleo cai, contrariando as previsões do Goldman

Petróleo cai, contrariando as previsões do Goldman

O Goldman Sachs revisou seu cronograma para a normalização das exportações de petróleo do Golfo Pérsico, adiando sua expectativa do fim de junho para o fim de agosto. Apesar da mudança, o banco manteve sua projeção para o petróleo Brent no quarto trimestre de 2026 em US$ 90 por barril, argumentando que um eventual prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz tende a ser compensado por um déficit de oferta menor do que o inicialmente esperado.

Os analistas estimam que o mercado registrará um déficit de aproximadamente 5 a 6 milhões de barris por dia no segundo trimestre. Esse volume é significativamente inferior às perdas efetivas de produção observadas no Oriente Médio, estimadas entre 14 e 15 milhões de barris por dia. Dois fatores contribuíram para amortecer o impacto da crise sobre o mercado global de petróleo: a redução da demanda em quase 5 milhões de barris por dia e o excesso de oferta que já existia antes do início do conflito. Como consequência, as cotações do Brent acumulam queda de cerca de 25% em relação aos picos registrados em março, refletindo a redução do nervosismo dos investidores após o anúncio da trégua na região.

Os economistas do Goldman Sachs, liderados por Daan Struyven, observam que a retomada das exportações para um volume próximo de 23 milhões de barris por dia exigiria apenas uma recuperação de cerca de 70% do fluxo de transporte pelo Estreito de Ormuz. Os volumes restantes poderiam ser escoados por rotas alternativas já utilizadas, por meio de corredores logísticos que passam por Yanbu, Fujairah, o Golfo de Omã e Ceyhan. Segundo o banco, o principal gargalo para as exportações está na capacidade limitada dos oleodutos para transportar o petróleo já extraído. Enquanto isso, as atividades de perfuração na região continuam operando normalmente.

O banco reduziu sua previsão para o Brent em US$ 5, para US$ 80 por barril em 2027. A oferta aumentará devido à saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, bem como ao aumento da produção no Brasil, na Guiana e na Venezuela. No entanto, a demanda não deverá se recuperar completamente. Mais de 10% da demanda perdida é considerada permanente, devido à acelerada transição da China para tecnologias verdes. A participação dos veículos elétricos nas vendas de automóveis de passageiros na China saltou de 50% em fevereiro para 62% em maio.

Apesar da previsão de um excedente de petróleo de 3,5 milhões de barris por dia em 2027, os preços devem evitar um colapso graças aos estoques esgotados da OCDE e a um prêmio geopolítico persistente. O Goldman também traça cenários extremos: se o Estreito de Ormuz permanecer fechado até o final do ano, o Brent poderá subir para US$ 140 por barril; se as exportações voltarem totalmente ao normal já em julho, em meio a uma oferta abundante, os preços do petróleo poderão cair para US$ 60 por barril.

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