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17.06.2026 06:11 PM
Rascunho de Memorando de 14 Pontos entre os Estados Unidos e o Irã

Ontem, um rascunho de memorando de entendimento composto por 14 pontos foi vazado para a mídia; os Estados Unidos e o Irã devem assiná-lo oficialmente hoje, na Suíça. O documento estabelece as bases para 60 dias de negociações rumo a um acordo final e, pela primeira vez, oferece ao mercado uma visão concreta dos compromissos reais assumidos por ambos os lados, em vez de apenas declarações retóricas.

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Aqui estão os principais pontos e a essência do memorando:

A guerra cessa imediatamente, em todas as frentes, incluindo o Líbano. Nem os EUA nem o Irã voltarão a atacar um ao outro. É muito improvável que Israel concorde com isso.

O Estreito de Ormuz é reaberto em até 30 dias, o Irã se compromete a restaurar os níveis de tráfego marítimo anteriores à guerra, a remover as minas do estreito e a eliminar os obstáculos técnicos. Os EUA suspenderão o bloqueio naval imediatamente após a assinatura. Não há dúvidas quanto a isso.

O Irã mantém seu programa nuclear no estágio atual, não ocorrerá nenhum novo enriquecimento durante as negociações. O destino do urânio já enriquecido será determinado no acordo final. O Irã reafirma que nunca produzirá armas nucleares.

Os EUA autorizam imediatamente as exportações de petróleo iraniano — as sanções sobre petróleo, petroquímicos e serviços relacionados (bancos, seguros, transporte) serão suspensas antes de sua revogação oficial.

Os ativos iranianos congelados são desbloqueados — os EUA se comprometem a emitir todas as autorizações necessárias, e os recursos serão disponibilizados ao Banco Central do Irã.

Os EUA e seus aliados se comprometem a destinar pelo menos US$ 300 bilhões para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã — um mecanismo será desenvolvido no prazo de 60 dias.

Todas as sanções contra o Irã serão suspensas — incluindo as resoluções da ONU e da AIEA e todas as sanções unilaterais dos EUA, tanto primárias quanto secundárias — de acordo com um cronograma acordado.

Será estabelecido um mecanismo de monitoramento do cumprimento para a implementação do acordo final. O documento final será consagrado em uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Vale destacar vários aspectos importantes que o mercado avaliará com especial atenção. O montante de US$ 300 bilhões é uma quantia colossal, comparável ao PIB anual do Irã, e sua concretização exigirá a aprovação do Congresso dos EUA, o que, por si só, já representa um sério teste político.

A questão do levantamento das sanções da ONU também é complexa: sua implementação requer o consentimento do Conselho de Segurança, no qual Rússia e China detêm poder de veto.

Por fim, a questão nuclear é tratada de forma vaga no documento — o "status quo" não implica o desmantelamento de centrífugas nem a remoção ou transferência de urânio, o que já vem gerando críticas de Israel e dos falcões da política americana.

Para os mercados, o documento é, sem dúvida, um sinal positivo. O petróleo já está sendo negociado abaixo de US$ 83 e, se a assinatura ocorrer sem surpresas, a próxima meta poderá ser a faixa entre US$ 75 e US$ 78, que muitos participantes do mercado têm como alvo.

Uma queda nos preços do petróleo afeta diretamente as projeções de inflação da Reserva Federal, do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
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