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01.07.2026 03:40 PM
O ouro continua sob pressão

O ouro cai pelo terceiro dia consecutivo, recuando abaixo de US$ 3.960 por onça e atingindo uma nova mínima desde novembro. Hoje, o metal perdeu mais 0,8%, após registrar queda de 2% nas duas sessões anteriores. A pressão vem de duas frentes — monetária e técnica — que se reforçam mutuamente.

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O primeiro golpe foi desferido pela presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack. Na terça-feira, ela afirmou não ver evidências convincentes de que o atual nível dos juros esteja restringindo a economia e que o banco central pode precisar elevar as taxas para manter a inflação na meta de 2%. Essa declaração hawkish se soma ao já familiar coro de falcões do Fed das últimas semanas. Williams afirmou que os juros estão bem posicionados para trazer a inflação de volta à meta, Goolsbee apontou para um movimento na direção errada e Barkin considerou os números excessivamente elevados. Com mais uma voz se juntando a esse grupo, o mercado passa a precificar com maior probabilidade uma alta de juros em vez de uma pausa.

Um argumento adicional a favor dos hawks veio dos recentes dados do mercado de trabalho. O número de vagas em aberto em maio sofreu pouca alteração, indicando uma demanda por mão de obra que permanece forte em meio à recente aceleração da criação de empregos. Uma economia robusta dá ao Fed margem para manter os juros elevados sem correr o risco de uma desaceleração acentuada, razão pela qual esses dados são negativos para o ouro. O metal, que não oferece rendimento, perde atratividade sempre que a resiliência da economia é confirmada, reforçando assim os argumentos a favor de juros mais altos.

A segunda frente de pressão é puramente técnica, e um sinal preocupante surgiu. Formou-se no gráfico do ouro o chamado "cruzamento da morte", em que a média móvel de 50 dias cai abaixo da média móvel de 200 dias. Alguns investidores interpretam esse padrão como um sinal da formação de uma tendência de baixa de longo prazo. Esse padrão reforçou o sentimento baixista e aumentou a pressão vendedora, embora também traga uma ressalva importante. É preciso lembrar que o cruzamento da morte é um indicador defasado e pode não refletir um eventual repique de curto prazo caso o sentimento do mercado melhore repentinamente.

O pano de fundo diplomático permanece calmo e, ao contrário do habitual, não favorece o ouro como ativo de refúgio. Os negociadores americanos Kushner e Witkoff tiveram conversas positivas com líderes regionais no Catar, e as negociações técnicas com o Irã seguem avançando.

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O indicador mais próximo e relevante será o relatório de emprego dos Estados Unidos, que será divulgado no final desta semana. Se os dados confirmarem a resiliência do mercado de trabalho, as expectativas hawkish ganharão ainda mais força, e o ouro corre o risco de prolongar sua trajetória de queda após o sinal técnico do cruzamento da morte (Death Cross). Contudo, se os números vierem abaixo do esperado, o metal poderá ter espaço para uma recuperação.

Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 4.008. Isso abrirá caminho para um teste da região de US$ 4.062, acima da qual o avanço tende a encontrar dificuldades significativas. O alvo mais distante situa-se em torno de US$ 4.124. Em caso de nova queda do ouro, os ursos tentarão assumir o controle do nível de US$ 3.954. Se tiverem sucesso, o rompimento desse patamar representará um duro golpe para as posições dos touros e poderá levar o ouro à mínima de US$ 3.906, com potencial de extensão das perdas até US$ 3.849.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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