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26.06.2026 03:19 PM
A economia americana mostrou-se visivelmente mais forte no primeiro trimestre
Como mostraram os dados, a economia americana no primeiro trimestre esteve visivelmente mais forte do que se pensava anteriormente. De acordo com a terceira e última estimativa, o PIB real dos Estados Unidos cresceu 2,1% em termos anualizados, em comparação com 0,5% no quarto trimestre de 2025. Isso representa uma revisão para cima de 0,5 ponto percentual em relação à segunda estimativa de 1,6%, uma surpresa positiva, já que o mercado esperava a confirmação de fraqueza, e não uma aceleração.

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No entanto, a mecânica dessa revisão é curiosa. A principal contribuição para a melhora veio da redução da estimativa de importações, que são subtraídas no cálculo do PIB, sendo apenas parcialmente compensada por uma revisão para baixo dos gastos do consumidor. Em outras palavras, o número principal aumentou, em parte, por razões técnicas, e não exclusivamente por um fortalecimento real da demanda doméstica. Isso também é confirmado por uma métrica mais representativa. As vendas reais para compradores domésticos, que somam o consumo e o investimento privado e são consideradas uma medida mais precisa da demanda subjacente, cresceram apenas 1,7% e foram revisadas para baixo em 0,7 ponto percentual. Assim, em termos reais, a economia apresenta um desempenho mais fraco do que o sugerido pelo crescimento agregado de 2,1%.

Sob a perspectiva setorial, o desempenho foi sustentado pelo setor público, que cresceu sólidos 7,5%, e pela manufatura de bens privados, que avançou 4,5%, enquanto o setor de serviços registrou uma expansão modesta de apenas 0,8%. Entre os segmentos de melhor desempenho destacaram-se tecnologia da informação, o governo federal, os serviços profissionais e científicos e a manufatura de bens duráveis. Aqui, a influência do boom de investimentos em inteligência artificial é claramente visível. Já entre os setores de pior desempenho destacaram-se o comércio varejista e atacadista, além de finanças e seguros, em linha com a fraqueza do consumo observada nos dados de vendas no varejo.

O componente de inflação do relatório merece atenção especial e inspira preocupação. O índice de preços PCE no PIB do primeiro trimestre ficou em 4,6%, enquanto o núcleo do indicador (core PCE) atingiu 4,4%. Esses números superam as leituras mensais do PCE registradas em maio e servem como lembrete de que as pressões inflacionárias permaneceram elevadas mesmo antes do pico da alta dos preços do petróleo provocado pelo conflito militar. Enquanto isso, os lucros corporativos aumentaram US$ 74,4 bilhões e foram revisados para cima, o que ajuda a explicar a resiliência do mercado acionário e sua disposição em ignorar choques geopolíticos.

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Para o Federal Reserve, este relatório apresenta um quadro ambíguo, mas tende a reforçar a postura hawkish. Por um lado, a economia cresce 2,1% e claramente não precisa de estímulos, enquanto os lucros corporativos batem recordes. Por outro, a inflação refletida nos dados do PIB confirma o que Goolsbee mencionou ontem e o que o PCE de maio já havia mostrado. As pressões inflacionárias permanecem persistentes e significativamente acima da meta. Vale lembrar que Kevin Warsh deixou claro, em sua primeira reunião, que estava disposto a elevar os juros, e o forte crescimento do PIB, combinado com a inflação elevada, reforça esse argumento.

O principal fator moderador continua sendo o colapso dos preços do petróleo após o acordo com o Irã, o que deve arrefecer a inflação nos próximos meses. No entanto, enquanto os indicadores da economia real continuarem tão fortes quanto têm sido, o mercado provavelmente continuará precificando uma alta de juros neste ano, em vez de um corte. Para o dólar, isso aponta para uma valorização adicional frente ao euro, à libra esterlina e a outros ativos de risco.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
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